D. Pedro II, o Magnânimo
| Foto do Conta-Almirante Felipe Felix da CFN |
No dia 24/11/2021,
o grupo USS Venture, através da curadoria da oficial Tenente Ludmilla Benoir,
da divisão de Operações, apresentou a exposição D. Pedro II, o Magnânimo. Nas
palavras dela:
“Nenhum
monarca desceu do trono com tanta dignidade, e moral tão elevada quanto Pedro
II. Foi um soberano inatacável, cultivava o direito, a justiça e a tolerância
como pontos básicos de seu governo.”
Tais afirmações são suficientes para instigar as pessoas a conhecerem mais sobre a vida e legado deste homem, que foi o único imperador do Brasil nascido nestas terras. A curadora mesma nos guiou por entre as paredes da réplica do Palácio Imperial da Quinta da Boa vista. Adentrar aquelas paredes, mesmo sabendo ser uma réplica virtual, nos dá um impacto impressionante sobre parte da história legitimada do Brasil. A sensação é a de pisar onde a família imperial pisou, e a de traçar o caminho cotidiano das pessoas que decidiram o futuro do país à longo prazo. A Quinta da Boa Vista, como é chamado o palácio, está localizado no Bairro do São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Hoje, o palácio é um parque municipal.
| Foto da Tenente Uriza, da USS Venture |
D. Pedro II teve uma vida conturbada. Declarado imperador em infância, teve que ficar sob os cuidados de um tutor, até que alcançasse a maioridade. Essa situação aumentou a disputa pelo poder entre deputados liberais e conservadores, e só pôde ser abrandada com a antecipação da maioridade do imperador.
Assim como
todos os membros da família real, seu casamento foi um arranjo político para
consolidar poderes. Apesar de ser um ato visto como de maus modos por nós nos tempos
de hoje, era um costume na época entre a nobreza – não só europeia mas no mundo
inteiro. D Pedro se manteve casado com Dona Tereza pela vida inteira e compartilhavam
um profundo amor pelo Brasil.
Por fim, os
grandes acontecimentos do seu reinado foram a Guerra do Paraguai e a Abolição
da Escravidão do país, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, a
Redentora. Após isso, já idoso e sem interesse em ser imperador, e em meio a
tantos conflitos políticos favoráveis à república o país sofre um golpe militar
e a família imperial é exilada.
| Curadora tenente Ludmilla Benoir. Foto da Tenente Uriza, da USS Venture |
Contudo, por
trás dessa história cheia de dores, existe um homem que em muitos aspectos
estava à frente de seu tempo. Os relatos aqui serão como a família imperial se
tornou mecenas, tirando de seu próprio salário para determinadas ações:
1. A família imperial patrocinava diversos
artistas.
2. A família investia imensamente na
história e cultura nacional.
3. D. Pedro II foi um estudioso primoroso,
sendo responsável por algumas traduções de livros para o português brasileiro.
4. Ele foi um amante das invenções,
estimulando os adventos modernos no país.
5. Foi um abolicionista, tentando
implementar a abolição da escravatura no país desde 1848 (ela só foi assinada
40 anos depois)
6. A família imperial não tinha pessoas
escravizadas. Todos já possuíam carta de alforria e eram assalariados,
diferente do que foi feito pela maioria dos donos de terra no país que
convocaram imigrantes europeus para trabalharem aqui no Brasil. Em muitos
desses locais a situação dos imigrantes era análoga à escravidão.
7. Financiou estudo de homens e mulheres
no país, incluindo os afrodescendentes.
8. Criou cotas no Colégio Pedro II para
afrodescendentes. As cotas não foram aprovadas e ele pagava a mensalidade para
os estudantes de seu salário.
9. D Pedro II amava a profissão de
professor. A docência é uma de suas paixões, ficando atrás apenas no Brasil. Se
não fosse imperador, ele gostaria de ser professor.
| Foto da Tenente Uriza, da USS Venture |
Cada palavra
escrita, aqui foi fruto do que foi gravado em nossas memórias, pela intensidade
e vida, dita pelas palavras da curadora, que estava sendo a mediadora na
exposição. No leito de morte, o D.Pedro
II “recusou uma pensão que a República lhe oferecera, jamais acusou aos que o
traíram e nunca, no exílio, deixou um só momento de se interessar pelos
problemas da Pátria distante. Protetor das artes e das letras, fomentador da
imigração, difusor da instrução pública, amigo do progresso, Pedro II ainda
hoje merece o respeito e a admiração dos brasileiros.” Nessa fala, foi possível ouvir a voz
emocionada de Ludmilla. Isso nos faz lembrar o quão importante e Magnânimo foi
D. Pedro II, o primeiro e último Imperador brasileiro do Brasil.
| Foto da Tenente Inaê, da USS Venture |

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